A última edição do Expresso dedica duas páginas à TV digital. A reportagem informa que a TDT portuguesa oferecerá 11 canais gratuitos e 48 canais pagos e, em sua fase inicial, deve abranger 1,6 milhões de lares, que é o mesmo número de casas que hoje têm acesso apenas às ondas hertzianas da TV analógica.
O Expresso diz que uma das desvantagens da TDT em relação à TV digital à cabo, por satélite ou por Internet (IPTV), é um grau de interactividade limitado “que se cinge a um guia de programação electrónico e a um canal-mosaico para escolher os restantes canais. Para aceder a serviços mais sofisticados como «vídeo on-demand» ou de comércio electrónico, os utilizadores terão que investir num descodificador mais avançado e também mais caro, como sucede em Itália”.
O descodificador é um aparelho que poderá ser ligado à TV analógica para que ela consiga exibir os sinais digitais. O mais simples deverá custar cerca de 60 euros. No entanto, o telespectador poderá optar por comprar aparelhos televisores já aptos a receber a TV digital.
Há ainda, segundo o semanário, a possibilidade de que o espectro radioeléctrico hoje ocupado pelos canais analógicos, que migrarão para o digital, possa ser reconvertido e vendido às empresas de telemóveis, que poderão ter seus próprios serviços de TV digital móvel.
O governo tem muitos caminhos pela frente e deve enfrentar fortes lobbys para definir o cenário futuro da TV portuguesa. Como haverá novos canais, deve-se decidir se eles serão distribuídos entre os operadores já existentes, se serão entregues ao poder público ou se o mercado será aberto a novos operadores privados. A Controlinveste, de Joaquim Oliveira, e a Cofina, de Paulo Fernandes, alimentam expectativas de entrar no mercado da TV aberta.
Se as coisas migrarem por esse caminho, não devem agradar à Impresa, de Francisco Pinto Balsemão, ou a Prisa, de Juan Luis Cebrián. Segundo o Expresso, “nesse contexto, a entrada de Pina Moura na TVI é olhada como uma estratégia da Prisa de conquista do Executivo para a manutenção do quadro actual”.
A reportagem traz ainda algumas análises sobre as movimentações das empresas em torno da TVD. Veja as considerações do Jornal:
RTP: A estação pública é uma das mais preparadas para a entrada da TDT. O administrador da empresa, Gonçalo Reis, diz que a RTP poderá emitir gratuitamente alguns canais que só existem hoje no cabo ou satélite, como RTPN ou RTP memória.
SIC: A emissora já possui tecnologia e equipamentos digitais, o que facilitaria a transição. Inicialmente a SIC deve transmitir canais que hoje são pagos, como a SIC Notícias ou a SIC Mulher.
TVI: Para emitir em sinal digital a empresa terá que fazer investimentos de 10 a 15 milhões de euros, o que poderá demorar entre seis e nove meses. A TVI estuda a possibilidade de oferecer mais canais, mas o administrador da Media Capital, Pedro Morais Leitão, não entre em detalhes operacionais sobre ocmo seria esse processo.
COFINA: A Cofina já tem concluído há pelo menos dois meses um projecto para um canal generalista. A intenção é lançá-lo ainda antes do arranque da TDT em Portugal, através de uma licença «free-to-ar», tal como a RTP, SIC e TVI. O presidente da empresa, Paulo Fernandes, tem criticado o governo e sua política televisiva.
CONTROLINVESTE: A empresa já anunciou o lançamento de um novo canal generalista, mas não revela se a plataforma preferencial será a TDT ou o cabo. Este grupo d eocmunicação já detém o canal Sport TV. Possui ainda os jornais “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “24 Horas” e “O Jogo”, além da Rádio TSF.