TV DIGITAL EM PORTUGAL

Notas sobre o Workshop Mobile Television

Julho 10, 2007 · 2 Comentários

Foi realizado ontem, em Aveiro, um workshop com o tema “Televisão Móvel: Tecnologia e Informação do Futuro“. O evento foi organizado pela ANACOM, no quadro da Presidência Portuguesa da União Europeia.

A tecnologia utilizada para a televisão móvel é a DVB-H, uma variação da DVB-T, que é a plataforma pata a TV digital terrestre europeia. Para que a TV móvel seja possível é preciso que haja a liberação do espectro ocupado pelas transmissões analógicas. Portanto, é necessário que as transmissões sejam digitais para que sobre espaço para as emissões para telemóveis e afins. Como afirmou o Presidente da ANACOM, José Amado do Silva, “se não houver o switch-off, não tem o espectro e não tem televisão móvel”.

É, no mínimo, intrigante o facto de Portugal ter sido palco desse evento, já que é um dos poucos países da Europa Ocidental que ainda não iniciaram as transmissões digitais, como mostra o mapa abaixo, apresentado pelo representante do Digital Terrestrial Television Action Group (Digitag). 

Os países com a cor clara são os que ainda não lançaram a TDT:

 

Enquanto países como a Espanha, França e Reino Unido discutem a tecnologia da TDT para a HDTV ou estão já a analisar o mercado de televisão móvel, Portugal está ainda a preparar o início da discussão pública sobre a TDT, para depois realizar o concurso que dará as concessões para os operadores televisivos. A expectativa é que o concurso seja realizado até o fim deste ano e há dúvidas sobre a possibilidade do país conseguir realizar o switch-off analógico em 2012, como determina a União Europeia.

Bosco Eduardo Fernandes, presidente do UMTS FÓRUM, apresentou dados sobre a perspectiva de crescimento da televisão móvel. Os números mostram que, em 2011, a TV móvel terá 335 milhões de subscritores e vai movimentar nove mil milhões de euros.

Também se falou muito na falta de definição de um modelo adequado, mas está claro que os conteúdos devem ser de qualidade. O desporto é uma grande aposta.

Os operadores e os governos também sabem da importância de haver um sinal de transmissão forte, que atraia os usuários e permitam uma boa imagem, sem interferências.

Há ainda uma preocupação em termos de mercado publicitário, pois a tendência na televisão móvel é que ela provoque uma migração de verbas de publicidade que hoje são aplicadas em meios como a imprensa e a rádio.

Estiveram presentes no evento empresários de diversos países, investigadores e representantes de entidades voltadas para o estudo sobre a televisão digital na Europa.

No encerramento, o Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, disse que um dos desafios para a implementação da televisão digital em Portugal é garantir o acesso a todos. Em relação à regulação, o Ministro foi claro ao afirmar que o mercado deve ser aberto e de livre concorrência. Disse ainda que tem tomado medidas de “higiene básica em matéria de regulação”, para impedir a formação monopólios no sector audiovisual português. Confira parte do discurso do Ministro:

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