Foi realizado ontem, em Aveiro, um workshop com o tema “Televisão Móvel: Tecnologia e Informação do Futuro“. O evento foi organizado pela ANACOM, no quadro da Presidência Portuguesa da União Europeia.
A tecnologia utilizada para a televisão móvel é a DVB-H, uma variação da DVB-T, que é a plataforma pata a TV digital terrestre europeia. Para que a TV móvel seja possível é preciso que haja a liberação do espectro ocupado pelas transmissões analógicas. Portanto, é necessário que as transmissões sejam digitais para que sobre espaço para as emissões para telemóveis e afins. Como afirmou o Presidente da ANACOM, José Amado do Silva, “se não houver o switch-off, não tem o espectro e não tem televisão móvel”.
É, no mínimo, intrigante o facto de Portugal ter sido palco desse evento, já que é um dos poucos países da Europa Ocidental que ainda não iniciaram as transmissões digitais, como mostra o mapa abaixo, apresentado pelo representante do Digital Terrestrial Television Action Group (Digitag).
Os países com a cor clara são os que ainda não lançaram a TDT:
Enquanto países como a Espanha, França e Reino Unido discutem a tecnologia da TDT para a HDTV ou estão já a analisar o mercado de televisão móvel, Portugal está ainda a preparar o início da discussão pública sobre a TDT, para depois realizar o concurso que dará as concessões para os operadores televisivos. A expectativa é que o concurso seja realizado até o fim deste ano e há dúvidas sobre a possibilidade do país conseguir realizar o switch-off analógico em 2012, como determina a União Europeia.
Bosco Eduardo Fernandes, presidente do UMTS FÓRUM, apresentou dados sobre a perspectiva de crescimento da televisão móvel. Os números mostram que, em 2011, a TV móvel terá 335 milhões de subscritores e vai movimentar nove mil milhões de euros.
Também se falou muito na falta de definição de um modelo adequado, mas está claro que os conteúdos devem ser de qualidade. O desporto é uma grande aposta.
Os operadores e os governos também sabem da importância de haver um sinal de transmissão forte, que atraia os usuários e permitam uma boa imagem, sem interferências.
Há ainda uma preocupação em termos de mercado publicitário, pois a tendência na televisão móvel é que ela provoque uma migração de verbas de publicidade que hoje são aplicadas em meios como a imprensa e a rádio.
Estiveram presentes no evento empresários de diversos países, investigadores e representantes de entidades voltadas para o estudo sobre a televisão digital na Europa.
No encerramento, o Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, disse que um dos desafios para a implementação da televisão digital em Portugal é garantir o acesso a todos. Em relação à regulação, o Ministro foi claro ao afirmar que o mercado deve ser aberto e de livre concorrência. Disse ainda que tem tomado medidas de “higiene básica em matéria de regulação”, para impedir a formação monopólios no sector audiovisual português. Confira parte do discurso do Ministro:


2 respostas até agora ↓
Aqua1986 // Julho 10, 2007 às 6:02 pm |
Falar-se de DVB-H ainda antes da DVB-T é mesmo à português! Enfim..
Mas é bom ter-se um Ministro assim, enquanto se escreviam páginas e páginas nos jornais sobre uma OPA que nunca foi a lado nenhum, não se podia falar de TDT em Portugal (vai-se lá saber porquê?) e só agora, depois da novela da OPA terminada, o Ministro Augusto Santos Silva acorda, levanta-se do sofá e decide que nem todos fazem parte do elenco da novela seguinte que já devia ter estreado: a “TDT em Portugal”! Agora pergunto: se antes o Ministro não passava de um figurante, agora não estará ele a querer ser protagonista demais? É que não me parece nada satisfatório ele “roubar” o papel da ANACOM ou da CMVM, por mais públicas que estas instituições sejam, e decidir quem entra ou não entra no elenco. Porque num mundo perfeito: as empresas apresentariam as suas propostas às instituições para o efeito e estas instituições (pelo motivo que fosse, salvaguardando sempre os consumidores), escolheriam a melhor proposta… Agora cortar de raíz propostas só porque se quer determinado protagonismo parece-me pouco ético.
Sergio Denicoli // Julho 10, 2007 às 6:07 pm |
Certamente há inúmeras razões que conduzem a implementação da TV digital em Portugal que ainda não são claras. É preciso que o processo esteja concretizado para que possamos ter uma ideia completa dos caminhos que estão a ser percorridos.