Em referência ao post anterior, cabe lembrar que, apesar da AirPlusTV poder enviar novos dados à ANACOM, ela não pode modificar a candidatura que foi apresentada a 30 de Abril.
Portanto, mesmo que a AirPlus consiga fechar o complicado acordo com a sua concorrente PT, para que a empresa distribua seu sinal televisivo, a verdade é que a negociação não consta no projecto apresentado. Ou seja, a candidatura da AirPlusTV não diz como que a empresa vai distribuir o sinal aos telespectadores.
Diante deste cenário, é quase impossível que o grupo sueco consiga vencer o concurso.
Mesmo assim eles têm apostado em marketing para tentar conquistar a opinião pública, o que reforçaria um posterior processo em Tribunal.
A AirsPlus chegou a anunciar na imprensa que, se ganhasse o concurso para a TDT paga, seu pacote, com 10 a 12 canais, custaria 11,5 euros. Disse ainda, conforme publicou o Correio da Manhã, que pretende investir em produções nacionais.
Há algo nebuloso no ar e a chave para entender o que se passou nos bastidores, antes da entrega das candidaturas aos concursos da TDT, está no acordo feito pela PT com a TVI em torno da Reti, a rede de transmissão televisiva do grupo Media Capital. Esse acordo deu à PT o controlo total das torres de transmissão televisiva em Portugal já que, além dela própria, apenas a TVI possuía um sistema de transmissão. O assunto foi destaque em reportagem do Jornal de Negócios, que publicou a seguinte informação:
“A candidatura da Airplus TV integrou uma proposta de acesso ao sinal televisivo que, segundo a empresa, teve por base um acordo negociado com a rede de televisão Reti, na altura detida pelo grupo Media Capital.
No entanto, a Media Capital nega a existência de qualquer acordo, tendo a Reti sido entretanto adquirida pela PT, o que levou a Airplus TV a encetar negociações com a sua concorrente dois dias antes do final do prazo para entrega das candidaturas.”
Parece-me que o contexto político tem sido bem favorável à PT…

