O Governo volta a falar da TV digital terrestre, sempre de forma enigmática. Diz que irá resolver a questão do 5º canal e combater a concentração dos média.
Afirmações que vão de encontro ao que foi feito até agora.
No caso do 5º canal, cabe lembrar que o assunto está em Tribunal. O motivo do litígio, a meu ver, foi a ingerência no trato do importante assunto.
O projecto da Telecinco era bem desenvolvido e elaborado por pessoas conhecedoras do meio televisivo e do mercado português. No entanto, a proposta foi chumbada numa etapa do concurso onde eram apenas previstas análises técnicas e não uma eventual suspensão por questões de projecções económicas. Tal facto abriu a possibilidade da decisão ser levada a Tribunal e indica que pode ter havido influências políticas, pois tanto o discurso da ERC quanto do Governo soaram muito semelhantes, apesar da independência da Entidade Reguladora.
No caso da concentração, o Governo retomou o monopólio das transmissões televisivas. O quer era facultado às empresas de TV, voltou a ser uma concessão exclusiva, cujos direitos foram dados à PT.
A PT também será a única empresa do país a gerir conteúdos para a TDT paga, que terá canais locais e contará com cinco Multiplexers. No entanto, até agora não se sabe como serão regulados esses canais e o Governo não se pronuncia sobre o assunto.
Além disso, ao contrário doutros países europeus, a TDT portuguesa parece ser uma televisão invisível. Ninguém sabe, ninguém viu. Não há uma campanha explicativa e ainda hoje as pessoas confundem a TDT com TV por cabo e por satélite. Haverá algum tipo de interesse na ignorância da população sobre o tema?
Quando realmente decidirem discutir com seriedade o assunto, Portugal agradecerá. No entanto, de falácias e sofismas os cidadãos já está fartos.