Programas da RDP na plataforma da TDT: uma proposta

Publico aqui mais um contributo do Engenheiro de Telecomunicações Eliseu Macedo, que é um parceiro deste blog e sempre contribui com informações relevantes sobre as transmissões digitais em Portugal.

O texto abaixo, de sua autoria, foi apresentado no processo de consulta pública da Anacom, referente à “revogação do acto de atribuição do direito de utilização de frequências associado ao serviço radiodifusão sonora digital por via terrestre (T-DAB) e, consequentemente, da licença atribuída à RTP”.

O Engenheiro defende que que os programas difundidos actualmente na plataforma T-DAB da RTP/RDT, passem a ser emitidos na plataforma da TV digital terrestre.

Leia, a seguir, a proposta:

“O pedido da RTP para encerramento do serviço T-DAB não é, de todo em todo, desprovido de fundamentos. Efectivamente esta tecnologia de difusão digital nunca chegou a ter penetração significativa no mercado nacional, por força da escassez e preço dos terminais necessários para a sua recepção. No presente momento, é também bastante pertinente o argumento: “justificação na necessidade de uma eficiente gestão dos recursos públicos afectos à RTP, num quadro de rigorosa exigência de contenção orçamental”.

No entanto, não deixa de ser frustrante que, em pleno século XXI, se apresente como alternativa ao fim das emissões digitais T-DAB o sistema FM – um sistema analógico com várias décadas de existência. Seria legítimo esperar que a evolução tecnológica que se tem vindo a desenrolar há já vários anos, nomeadamente no que diz respeito aos novos meios de transmissão digital, se pudesse de algum modo aplicar também à difusão rádio para o grande público.

Deste modo, e para minimizar o impacto do final das transmissões digitais via T-DAB, venho por este meio propor que os actuais programas difundidos digitalmente na plataforma T-DAB da RTP/RDP sejam emitidos na plataforma digital de Televisão Digital Terrestre (TDT), após o encerramento da primeira. Enumero a seguir as razões que me levam a propor esta medida:

1 – Capacidade disponível. Actualmente o único Multiplexer em operação, MUX A, dispõe de bastante capacidade disponível, devido ao reduzido número de programas (apenas 4) e à utilização do codec H.264. A utilização de parte da banda para difusão de rádio (utilizando por exemplo codec HE-AAC) irá ter um impacto marginal, já que a exigência de largura de banda do sinal áudio é muito inferior à do vídeo.

2 – Custo muito reduzido. Actualmente a plataforma TDT já está em operação e cobrindo uma vasta área do território e não existem custos adicionais significativos para implementar esta medida. A rádio digital via DVB-T iria utilizar uma plataforma recém instalada, com capacidade disponível, e contribuiria para rentabilizar a infra-estrutura.

3 – Possibilidade de recepção fixa de rádio com alta qualidade e em modo digital. Aproveitando as sinergias e as condições criadas com as recentes normas para infraestruturas de telecomunicações em edifícios e urbanizações (ITED/ ITUR), seria apropriado dispor de recepção rádio em modo digital em alternativa ao FM. Paralelamente, é de realçar que os receptores TDT (DVB-T) estão habitualmente preparados para receber rádio e as tendências actuais apontam para uma gradual integração de serviços, pelo que a recepção fixa de rádio por via DVB-T começa em muitos países a ganhar peso, quer no grande público quer na indústria, em detrimento do sistema T-DAB.

4 – Mesmo para recepção móvel o DVB-T garante uma razoável protecção à dispersão multipercurso (devido às grandes semelhanças das duas modulações, ambas baseadas em OFDM) e pode por isso proporcionar recepção de qualidade até velocidades moderadas. É já possível encontrar no mercado receptores de rádio e TV digital baseados em DVB-T, não só para recepção fixa mas também móvel. Alguns exemplos de sintonizadores A/V para automóvel preparados para DVB-T, que mostram o posicionamento na indústria:

Recepção portátil:

Hauppage myTV Player

Recepção móvel em automóvel:

TUE-T200DVB


KV-DT2000


5 – Promoção e reforço da TDT. A oferta TDT portuguesa é actualmente muito pobre (senão a mais pobre) dos países que preparam a exploração do dividendo digital. A medida de incluir as rádios de serviço público na TDT seria um pequeno contributo para melhorar e promover a adesão à TDT.

6 – Similaridade com os nossos congéneres Europeus. Espanha, Reino Unido, Alemanha, são apenas 3 exemplos de países que integraram rádios nas suas plataformas de difusão digital terrestre.

Em conclusão, a medida de passar a incluir os programas actualmente difundidos por via T-DAB na TDT é uma medida com vantagens evidentes que faria uso de uma plataforma já existente, com custos muito reduzidos. Para terminar, gostaria de realçar a curiosidade das primeiras emissões experimentais de TDT em Portugal, em 1998 (aquando da EXPO) incluírem rádios já nessa altura, o que demonstra a viabilidade e pertinência desta medida.

Curiosamente, ao mesmo tempo que se fala do encerramento do serviço T-DAB, passou a ser possível desde há uns meses, sintonizar as rádios públicas portuguesas da RDP via satélite Hispasat – o mesmo onde vai ser disponibilizada TDT complementar DTH. Os parâmetros para receber estas estações são os seguintes:


Se este serviço for continuado, poderá ser um complemento interessante e com qualidade para recepção fixa em zonas de coberura terrestre difícil. Resta agora integrar também na plataforma de difusão terrestre, com especial sentido de oportunidade após o fim das emissões T-DAB.”

31 responses to “Programas da RDP na plataforma da TDT: uma proposta

  1. Boas , Não só rádios dos estado como outras rádios, a norma DAB já existe a muito tempo mas como estamos em Portugal nunca foi divulgada, nem promovida, isso não acontece com a TDT porque a união europeia aconselha a mudarmos do analógico para digital , mas se a união europeia não disse-se nada tudo ficava na mesma iríamos continuar a ter televisão analógica, ate os fabricantes de tvs deixarem de fabricar televisões com receptores analógicos .
    Eu já sigo esta historia da TDT desde de 1998 e nada daquilo que eram os objectivos para TDT Portuguesa se tornou real .
    Outra coisa podemos falar é da qualidade do áudio digital dessas rádios , acho que transformar as rádios num extra para as televisões desvaloriza o que significa a radio, para mim acho ridículo transformar a radio num mp3, acho deviam também apostar na qualidade do áudio nas rádios digitais, e não transformar uma coisa que esta-la por estar.
    Temos que dar devido valor as rádios e utilizar as ultimas tecnologias digitais para transmitir as mesmas.
    Acho importante numa a qualidade do áudio,pois digital não significa qualidade de áudio ou de vídeo, no caso da radio deveria-se apostar na radio digital sem compressão MPEG ou seja utilizar uma transmissão digital que tenha a mesma qualidade que um cd pois como é sabido nenhum formato da família mpeg 3 ou semelhantes, consegue ter a mesma qualidade que um cd ,um exemplo mais técnico cada radio deveria ter pelo menos de Bit-rate 1.5 Mbits ate 2.5Mbits, mas esta é a minha opinião que não vale nada, pois neste pais não se liga qualidade do áudio e vídeo digital o que interessa é só ouvir, mas há coisas que a compressão MPEG retira que só se pode ouvir “sentir” no analógico, e com bit rate alto sem compressão MPEG essa semelhança fica mais próxima.
    Também podemos falar na radio de alta definição,isso sim seria revolucionário se Portugal implementa-se um sistema de rádios HD áudio em Portugal, mas como todos percebemos Portugal em termos das telecomunicações esta sempre atrasado ao nível Europeu.
    A minha proposta era se utilizar uma tecnologia chamada de DSD “Direct Stream Digital” uma tecnologia criada pela Sony e Philips que foi utilizada nos discos de Super Audio CD, que permite transcrever o audio de uma fonte analógica para digital sem perdas de qualidade com alta frequência de áudio 2.8224 MHz comprado a cd que é de 44.1 kHz , um super áudio cd tem pelo menos cd bit rate de 5.6 Mbits. mas isto são outros universos que estão para se descobrir.

    • Parece que já saiu a decisão final sobre a revogação dos direitos de utilização de frequências T-DAB pela RTP/RDP. Disponível aqui:

      http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1075659

      A Anacom, como vem sendo seu hábito, prende-se em detalhes e ignora as propostas que lhe são dirigidas. Relembro que a Anacom é Assessora do Governo para as telecomunicações, e se alguma proposta não cabe no quadro legal existente, o que se espera da Anacom é exactamente que proponha ao Governo essa mesma alteração!

      No caso concreto, a Anacom prendeu-se ao detalhe que a capacidade do MUX A (mesmo sem utilização actual) já está “reservada” e é, digamos, propriedade da PT e que esta poderá utilizar a capacidade como entender. Ora este argumento não colhe! Isto porque parte dessa capacidade estava reservada quer para o 5º canal (que nada tem a ver com a PT), quer para o canal HD. O que vai acontecer com o 5º canal e com o canal HD não depende da PT! A resposta da Anacom é completamente descabida!

      Por outro lado, a TDT não se resume ao MUX A! Após o apagão analógico é possível iniciar vários MUXES e a rádio digital poderia facilmente ter lugar, até com bit-rates muito aceitáveis. Em espanha, já existe uma rádio com qualidade superior – Radio Clásica HQ.

      Cada vez mais se torna evidente que a ANACOM não está ao serviço dos cidadãos, não faz propostas ao Governo como seria sua obrigação e não promove a qualidade e diversidade dos meios audiovisuais disponíveis para um Portugal que se necessita moderno.

  2. Caro António,
    Folgo em ver alguém defender a rádio de qualidade desta forma.🙂

    Infelizmente, duvido muito que alguma vez venhamos a ter algo que se pareça remotamente com SACD. Aliás, basta ver o que acontece com a televisão. Nem um único canal HD. Na prática, temos exactamente os mesmos canais, com a mesma resolução, mas com compressão! Sendo minimamente realista (até porque está mais que claro que a jogada não é oferecer-nos melhores serviços de televisão e rádio, mas libertar tanto espectro quanto possível para leiloar aos operadores moveis), Já seria muito bom se tivéssemos emissões a 256kbps (algo me diz que é um “luxo” a que não teremos acesso), ou melhor ainda, “lame -v0”. Diria mesmo que, da mesma forma que o atraso na adopção da TDT permitiu a adopção de um “codec” mais avançado (MPEG4), poderemos fazer o mesmo na rádio, adoptando um “codec” como o OPUS ( http://www.opus-codec.org/ ).

    Dito isto, gostaria muito que fosse como o António sugere!😉

  3. Boas, Pedro Ribeiro
    Também posso esta de acordo que implementação de algumas rádios na TDT ajudaria promover a TDT ,mas fazer isso padrão para as rádios não estou de acordo.

    sobre o codec OPUS e pelo que vi tem codigo de fonte disponível o que é muito para todas plataformas informáticas incluindo o sistema que utilizo “GNU/Linux” o que torna muito fácil de compilar.

  4. Excelente ideia. Só não concordo com o António no que toca à qualidade. Uma rádio emitida em AAC (a mesma norma que a TDT-vídeo) a 128Kbps tem qualidade mais que suficiente e ocupa pouco espaço.

    Tenho é algumas dúvidas sobre a receção em movimento. Pelas experiências que fiz com uma pen USB, há muitas zonas onde a receção é má. E isto parado, imagino o que acontecerá num automóvel em andamento. Aliás, o próprio caderno de encargos menciona que a rede TDT foi pensada para ser captada com antenas de telhado (o que, para mim, foi um enorme erro porque se aumentassem a potência dos emissores muitos poderiam abandonar as inestéticas e pouco práticas antenas).

  5. Manuel, tenho que discordar em relação à “qualidade suficiente”. Suficiente para quê ou para quem? Para mim, é manifestamente insuficiente!

    Quanto à cobertura, é apenas mais uma forma em que somos roubados em todo este processo. Então não está previsto que a cobertura da TDT será INFERIOR à actual analógica? Serei o único a não perceber o que é que o público ganha com isto (a PT, claramente ganha um “cavalo de Troia” para vender o serviço Meo via satélite)? Os operadores móveis ficam com o espectro libertado. O Estado, com o dinheiro das licenças. E os restantes cidadãos?

  6. “qualidade suficiente” para 99% da população que hoje recebe rádio por FM. Claro que há sempre quem discorde (vidé a discussão vinil vs. CD).
    O relevante da questão é que o espaço ocupado na TDT é escasso e é utópico pensar que vai ser libertado espectro para muitas rádios com um bitrate alto.

    Quanto ao resto, é um facto que a cobertura da TDT é pior que o analógico. Só a PT, Anacom e os nossos governantes é que dizem o contrário.

    • ““O relevante da questão é que o espaço ocupado na TDT é escasso e é utópico pensar que vai ser libertado espectro para muitas rádios com um bitrate alto.”
      Por ter a certeza que isso não acontecerá é que respondi daquela forma ao António.😉
      Mas não é por não virmos a ter rádio e TV em condições que aquilo que iremos obter será “suficiente”! :p

  7. Queremos Canais na TDT para ver e não para ouvir Rádios…
    Mas não só 4 … Mias de 4 Canais. Obrigado

    • Escasso , temos 5 frequências disponíveis para Tv em media cada frequência da para por 3 canais AD “HD” e nais ou menos 6 SD
      Mas aqui é que esta o problema , quantas frequências o estado vai vender depois do desligamento da televisão analógica ?
      Para mim deviam manter as 4 para estar-mos a vontade para o aumento de oferta de canais e também conforme a evolução da TDT podermos garantimos melhor transição de tecnologias para tecnologias relacionadas com TDT acho que uma delas poderia ser utilizada para as rádios na TDT permitindo ter rádios com som sem compressão MPEG acho que daria para 12 rádios nacionais ou mais se cada uma tivesse 1,5 Mbits qualidade poderia ir ate as 30 rádios, mas para mim a solução da radio seria utilizar banda FM em digital, mas não sei se isso é possível, mas aqui fica ideia, mas sei que na Alemanha realizaram testes em onda media “AM” em digital.

      • 1.5Mbps? Nunca vai acontecer. Acho um desperdício tremendo de espectro usar quase tanta banda para rádio como para um canal de TV. Como eu disse, 128Kbps era q.b. e permitia emitir 16 a 20 rádios no espaço ocupado por um canal de TV SD.
        Quanto a frequências o que está previsto é libertar a faixa dos 450 e 800MHz, pelo que não é por falta de espaço que não se poderão instalar mais muxes.

  8. boas Manuel
    Um canal de TV tem muito mais bit-rate que uma radio digital
    acho estranho algumas pessoas gostarem de ver canais digitais aos quadradinhos “ruído digital” , e ouvir radio da net com ruido digital de fundo do tipo um som de pandeireta fundo.

    repara os níveis de bit-rate definidos pela anacom no inicio planeamento da TDT em 98
    “- Qualidade de imagem dos programas: pode ser definida por um dado débito binário, que é função do grau de definição das imagens a transmitir; por sua vez, ao grau de definição faz-se corresponder uma dada qualidade de imagem analógica conhecida; os programas, em termos de qualidade de imagem, poder-se-ão caracterizar tipicamente da seguinte forma:
    . 1,5 a 2 Mbit/s LDTV (Limited Definition) VHS

    . 2,5 a 6 Mbit/s SDTV (Standard Definition) PAL

    . 8 a 12 Mbit/s EDTV (Enhanced Definition) PALplus

    . 20 a 24 Mbit/s HDTV (High Definition) HD-MAC.

    Refira-se, a este propósito, que, num canal de radiofrequências de 8 MHz haverá lugar para um débito efectivo máximo, variando entre valores muito distintos (teoricamente, a máxima capacidade disponível de informação útil por canal de radiofrequências pode variar grosso-modo entre 5 e 31 Mbit/s).”
    Simplesmente acho que radio deve ser tratada da mesma forma que a TV na qualidade de bit-rate e não como um anexo a TV
    Esta é minha ideia de qualidade de radio digital, seguindo o mesmo exemplo feito pela ANACOM referente a TV.

    . 96kbps a 512 Kbps AM (qualidade onda media ) audio stereo ou mono

    . 512 Kbps a 1.5 Mbit/s SD radio (qualidade FM/ cd-audio ) stereo 2.0 ,16/24 bits PCM

    . 2.5 a 5.6 Mbit/s AD AUDIO “HD” (vinil/super-audioCD )1 bit DSD tecnologia “Direct Stream Digital” mantém a qualidade original das fontes analógicas , com possibilidade de multi-canais de alta-definição,multi frequências de audio, matem a qualidade original da musica gravada no Master-Audio.

    • Esses valores são todos upa! upa! altamente inflacionados.
      Na prática a nossa TDT tem um pouco mais de 2Mbps de média para cada canal SD (pode subir ou descer, a multiplexagem é estatística) e o canal HD iria ter 6Mbps.
      Chega? Bom, observando na minha TV, a qualidade da TDT é de longe superior à da Zon ou da Meo.

      A nossa TDT tem um débito máximo bruto de 22Mbps por mux (DVB-T, QAM64, FEC 2/3, Guarda 1/8) mas parte desse “bolo” é reservado.
      Na prática, a capacidade do mux dá à justa para os projetados 5 canais SD mais o HD e não caberá mais canais (TV ou rádio) sem baixar bitrates.
      O espaço do 5º canal poderia de facto ser usado para rádio com reduzidos custos caso se usem débitos que eu consideraria q.b. para 99% da população (o António claramente não se insere neste grupo).

      Estar a pensar que vai haver investimento (estamos a falar de valores MUITO altos por cada mux adicional!) só para ter rádios em qualidade para audiófilos é algo que nunca vai acontecer. Para os não-audiófilos chegam o barato rádio de pilhas ou as emissões pela Net.

  9. Manuel
    Já ouviste falar do 4G da PT “tmn” eles vão aproveitar as frequências que vão ficar disponíveis para isso mesmo, só não aumentam o bit-rate a tecnologia se calhar não permite ainda, ou porque não querem para não ocupar muito espaço.
    Com o 4G vai ser possível ter Internet novel a pelo menos a 150 Mbps , parece para o negocio já espaço radio eléctrico, mas para TDT não há.
    Temos que evoluir não ficar parado no tempo, mas também mantendo as qualidades anteriores,
    Para muitos empresários ligados a televisão acham que não devíamos mudar já para digital e poderia ficar com o analógico por mais de 10 anos, ou seja eles não querem gastar dinheiro para beneficio das população, e se isso acontece-se nessa altura já nem televisões com receptores analógicos existiriam, a ideia querem passar que a TDT é só para idosos, donas de casa ou desempregados como eu, isso é errado no ponto vista dos países que já implementaram a TDT já a anos de nos. por acho a aqui um forte interesse em que a TDT não tenha sucesso por isso não divulguem todo o seu potencial.
    Em Portugal as ideias não tem valor, por isso grande parte das nossas invenções são vendidas no estrangeiro a preço muito barato e depois vem para Portugal com uma marca estrangeira,outras morrem a nascença.
    Quanto te referes :”Estar a pensar que vai haver investimento (estamos a falar de valores MUITO altos por cada mux adicional!) só para ter rádios em qualidade para audiófilos é algo que nunca vai acontecer. Para os não-audiófilos chegam o barato rádio de pilhas ou as emissões pela Net.”
    Seria a mesma coisa dizer quando apareceu a televisão ou a Tv a cores.

    • A analogia com a TV a cores é descabida porque era de facto algo de novo enquanto a rádio já existe há muitas décadas e em muitas plataformas (AM, FM, Net, cabo, etc). Por isso que razão haverá para as pessoas gastarem dinheiro para terem o que já têm? E será que são assim tantos que ouvem (ou poderão ouvir) rádios pela sua qualidade sonora? Eu acho que não – e a maioria das rádios também a julgar pelos baixos bitrates que usam nos seus sites.

      Quanto aos telemóveis, eles só vão ocupar as faixas dos 450 e dos 800Mhz, tudo o resto continua liberto. Não é nem nunca foi por falta de espectro que a nossa TDT não tem mais conteúdos.

      Ainda por cima há a questão “chata” dos custos, pagar a rádio com os bitrates que menciona seria um despesismo inqualificável. Montar um Mux é coisa que custa milhões (pergunte à PT) e esse dinheiro só poderia vir do dinheiro dos contribuintes porque não estou a ver as rádios a terem recursos para gastarem sequer uma ínfima parcela daquilo que as TVs pagam à PT para emitir (seja em analógico ou em digital).

  10. O debate está interessante e de alto nível. Estive em férias com a família por uns dias e fico satisfeito em saber que o blog tem servido como palco para discussões realmente necessárias e pertinentes no que diz respeito à mudança do analógico para o digital.
    É realmente importante que todos que conhecem um pouco da realidade da radiodifusão portuguesa reforcem a necessidade de haver sistemas mais democráticos no País, em benefício da população, que é a detentora de direito do espectro, e não ao contrário.

    • Simplesmente não entendo porque só preocupam com custos para algo de bem comum, mas apagam 25 euros por serviços privados, do tipo meo,zon, isso já não é caro?, caro é pagar 4 euros para todos beneficiarem !?
      As mudanças tecnológicas irão ter sempre custos, parece cá Portugal não querem mudar para os media digitais de serviço publico,e é custos a desculpa outro tipos de desculpas estranhas.
      A radio digital não é mais cara que a analógica, o digital permite que todos tenha a mesma qualidade.
      Se fosse assim pelo pensamento de não gastarmos mais com novas tecnologias ainda tinhas TV preto e branco e ou radio a válvulas.
      Nos primeiros tempos da Tv, um televisão custava tanto como um carro,a radio custava tanto como uma televisão dos nosso tempos , mas com avanço da tecnologia permitiu que toda gente tivesse uma TV.
      Também manter uma aparelho velho pode ficar mais caro que um novo se ele avariar, ou mesmo o reto fabrico de tecnologias analógicas o preço é elevado , mais do que comprar uma nova.
      Por isso acho que a radio de alta-definição é importante para mantermos uma qualidade que tinhamos e não reduzir a qualidade, e não é mais cara, isso depende da exigência da qualidade que queremos, podemos não ter o aparelho para ouvir a qualidade total da radio, mas podemos ouvi-la com mais qualidade com um aparelho mais barato mesmo que não tenha a qualidade total.
      exemplo
      Uma aparelho para ouvir cds custa 25 euros.
      Mas se quiseres ouvir qualidade total de um cd vais ter que gastar muito, depende do teu grau de exigência, mas dou o preço do melhor leitor cds, que já vi , só leitor andara pelos 10.000 euros e depois com resto de equipamento ficaria pelos 30 mil euros.
      Com a radio de alta-definição com a tecnologia terias a mesma qualidade ou melhor por muito menos ao custo normal de um leitor de cds.

      O preço do equipamento depende do teu grau de exigência , as empresas de multimídia em portugal devem apostar na qualidade como transmitem os conteúdos, acho hoje em dia muitas das empresas em Portugal não apostam na qualidade da imagem “video” e áudio e praticam preços elevadíssimos, por isso pagar 4 euros na factura da luz não é caro pois é um beneficio de todos.

      • Antonio, o seu raciocínio falha em vários pontos:
        1) A avaliar pela nossa oferta de TV, os Portugueses não se importam grandemente com a Qualidade e por isso muitos poucos Portugueses estarão dispostos a pagar por algo que já têm de borla noutras formas de distribuição.
        2) Em tempos de contenção orçamental como explicar gastar milhões do bolso dos contribuintes com emissões de rádio?
        3) A rádio tradicional já conheceu melhores dias. Grooveshark, Pandora, Last.fm e muitos outros já captaram o coração e os ouvidos dos amantes de música.
        4) Não existem equipamentos terminais disponíveis para os bitrates irrealistas que menciona. Já um stream AAC com 128Kbps seria captado por muitos dos adaptadores TDT (é apenas mais um canal como os outros mas só com faixa de áudio).
        5) Ao contrário do que se quer fazer passar, os Portugueses são aversos a novas tecnologias e só adoptam aquelas que lhes dão status.
        6) Não tenho nada contra a inovação só pela inovação mas neste caso trata-se dum bem escasso e bastante caro. Usá-lo para benefício de uma mão-cheia de entusiastas seria um enorme desperdício.

  11. Pathlost | Abril 27, 2011 às 1:31 pm | Responder

    Parece que já saiu a decisão final sobre a revogação dos direitos de utilização de frequências T-DAB pela RTP/RDP. Disponível aqui:

    http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1075659

    A Anacom, como vem sendo seu hábito, prende-se em detalhes e ignora as propostas que lhe são dirigidas. Relembro que a Anacom é Assessora do Governo para as telecomunicações, e se alguma proposta não cabe no quadro legal existente, o que se espera da Anacom é exactamente que proponha ao Governo essa mesma alteração!

    No caso concreto, a Anacom prendeu-se ao detalhe que a capacidade do MUX A (mesmo sem utilização actual) já está “reservada” e é, digamos, propriedade da PT e que esta poderá utilizar a capacidade como entender. Ora este argumento não colhe! Isto porque parte dessa capacidade estava reservada quer para o 5º canal (que nada tem a ver com a PT), quer para o canal HD. O que vai acontecer com o 5º canal e com o canal HD não depende da PT! A resposta da Anacom é completamente descabida!

    Por outro lado, a TDT não se resume ao MUX A! Após o apagão analógico é possível iniciar vários MUXES e a rádio digital poderia facilmente ter lugar, até com bit-rates muito aceitáveis. Em espanha, já existe uma rádio com qualidade superior – Radio Clásica HQ.

    Cada vez mais se torna evidente que a ANACOM não está ao serviço dos cidadãos, não faz propostas ao Governo como seria sua obrigação e não promove a qualidade e diversidade dos meios audiovisuais disponíveis para um Portugal que se necessita moderno.

    • A Anacom não refere em lado nenhum a PT nem tinha nada que o fazer porque a firma apenas é contratada para gerir o Mux e não determina o que lá é posto, isso cabe à Anacom e ao Governo.

      Não seria de esperar outra resposta por parte da Anacom porque libertação do espaço morto pressupunha “matar” o 5º canal ou o fantástico canal HD. No primeiro caso não se pode fazer nada porque há um processo a correr nos tribunais, no segundo caso será necessária intervenção do Governo, sobretudo de Jorge Lacão – o tal governante que tem dito que a nossa TDT é “um sucesso” e que “vamos ser o primeiro país da Europa a fazer o apagão total do analógico”. Portanto, se tudo está bem, não é preciso mexer😦

      • Só para clarificar: onde digo “Anacom não refere em lado nenhum a PT” refiro-me ao facto da PT não ter sido sequer consultada neste processo. Apenas que lhe foi outorgada a utilização da frequência e que se algo mudar, as suas obrigações serão revistas – ou seja, aquilo que ela é obrigada a transmitir muda eventualmente com algum contrapartida adicional que seria pequena porque consistiria em mudar um stream por outro.

        Quanto ao resto dos muxes, eles estão mortos e enterrados, nem sequer existem frequências onde possam emitir. E isto só muda por iniciativa do Governo ou do Parlamento.

      • A Anacom refere sim a PT, e passo a transcrever a parte interessante:

        “De acordo com essa RCM, sem prejuízo das obrigações decorrentes do concurso público, o titular do direito de utilização de frequências associado ao Mux A – que veio a ser a PT Comunicações, SA (PTC) – pode afectar a restante capacidade a outros serviços de comunicações electrónicas, nos termos da legislação aplicável.”

        Ora, que quer isto dizer? Eu entendo assim – A Anacom está a falar da “restante” capacidade, o que sobra depois dos 4 nacionais+5ºcanal+HD!
        Mas eu penso que a proposta deste post era mais abrangente e tanto podia ser aplicável para a “restante” capacidade no MUX A, como no que fazer futuramente ao espaço deixado livre pelo canal HD e pelo 5º canal – caso este nunca venha a emitir (e assim parece ser o caso), como ainda para futuros MUXes! A Anacom simplesmente “xutou pra canto”.

      • Manuel, acerca dos MUXs adicionais, depois do apagão tens novamente possibilidade de mais MUXs, e eles estão mesmo previstos. Já houve entendimento com Espanha e no limite são 10 as frequências possíveis de utilizar em Portugal. Alguns MUXs distritais até já têm frequência definida.

      • Exato, pathlost, o que eu queria dizer é que a afirmação é abusiva e vai para além do que está na decisão: “Anacom prendeu-se ao detalhe que a capacidade do MUX A já está “reservada” e é, digamos, propriedade da PT e que esta poderá utilizar a capacidade como entender”.

        A decisão não diz isso nem por sombras. Apenas que o Mux A no formato previsto por lei está cheio e que qualquer mudança terá que passar por renegociação do contrato da PT que recebe – e bem – pela exploração comercial da frequência mas não tem o direito de escolher os conteúdos – esse pertence à Anacom e ERC.

      • A decisão diz isso sim, aliás repete basicamente o que está escrito no título habilitante (e remete para ele). Convém ler o artigo 6º do título habilitante do MUX A.
        Com esta decisão, a Anacom reitera que a capacidade remanescente (capacidade sobrante depois de descontados os 4 canais FTA, 5º canal e 6º HD) pode ser utilizada pela PT Comunicações para outros serviços. Ou seja, a PT é que decidirá o que fazer com o que sobra do MUX A – capacidade remanescente. Foi o que eu disse e mantenho, pois é o que está previsto e é o que a Anacom refere. Mas no que toca à capacidade do 5º canal e canal HD, não utilizados, aí sim a Anacom podia dizer muito mais do que disse, nomeadamente o que está previsto no artigo 3º do título habilitante:

        “A PTC obriga-se também a cumprir os normativos que no futuro venham a ser publicados, ainda que estes prescrevam disposições não previstas à data da atribuição do direito de utilização, mas que resultem de necessidades ou exigências de uso público do serviço que presta (…)”

        Ou seja, este simples artigo do título habilitante do MUX A destrói a própria argumentação Anacom. É perfeitamente possível alterar as condições de exploração do MUX A para albergar rádios.

      • pathlost, mesmo aproveitando a “capacidade remanescente” a mudança requer sempre aprovação tanto da Anacom como da ERC.
        Penso que ideia por detrás desta largura de banda restante – que é muito reduzida – tem a ver com serviços de dados e não com a difusão de mais canais, sejam eles de TV ou de rádio. Caso contrário, já decerto tínhamos no ar o canal de promoção ao Meo😉

  12. “Por outro lado, a TDT não se resume ao MUX A!”
    É evidente que não. Mas é o que nos querem “vender” a todo o custo! :p

  13. Aqui em Portugal ainda se discute o 5 canal se é viável ou não , mas porque o estado quer mais uma empresa como a sic ou tvi ? , eles sabem o que é um canal ? , porque em vez andar com esta trapalhada toda , eles não colocam o canais temáticos da RTP na TDT , pois ao meu ver eles querem por outra empresa como a sic ou tvi para ter os argumentos habituais, confundindo canais temáticos, como um novo canal de uma empresa. e esse canal for adiante, “duvido” , vão inventar outros argumentos para não colocar mais canais temáticos , “canais na definição deles, empresas de televisão” enquanto em Espanha nasce canais temáticos como cogumelos, aqui em Portugal , ainda gente diz mais canal isso é muito para nosso mercado,

  14. Acabei de experimentar sintonizar os canais da RDP no hispasat segundo as indicações aqui expostas (que coincidem com as do lyngsat) e não obtive qualquer sinal. Agradecia que, se alguém experimentasse, publicasse aqui se obteve os mesmos resultados. Cumprimentos

  15. O problema parece estar no codec utilizado. Nem todos os receptores conseguem descomprimir estes sinais que, diga-se, são ligações técnicas (profissionais). A melhor aposta será tentar com placa sintonizadora PC e experimentar vários codecs audio.

  16. Euh, na hora que toda a Europa agora vai indo para o DAB / DAB+ , Portugal vai abandonar ????
    Mas que raio ?
    Ok, que se ponham na TDT ate acho bem !
    Mas retirar se do DAB ???
    E que o que aconteceu com a TV ira acontecer com a Radio, nao tao depressa, mas cada vez mais ha radios em DAB , e nao entendo essa decisao de acabar o DAB, deveria se sim e divulgar o DAB e atrair mais radios para esse meio, mas radios novas , e tb para estrangeiros que poderiam iniciar uma onda de compra de um parque de receptores ….
    Enfim.

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